Shoboji

Relatos de experiência

Relato de Mário Amaral

“Eu gostaria de agradecer ao Reverendo Prior Abiko, Reverendos Kurosawa e Isomura, pela oportunidade de fazer esse relato de experiência”.

Meu nome é Mario, sou originário de Nova Venecia, Espirito Santo. Eu venho de uma família de praticantes do Catolicismo. Em 1987 imigrei para o Canada. Sou professor de inglês e espanhol. Quando eu conheci o Budismo eu trabalhava para uma imobiliária em Toronto, no Canada. O inicio na pratica foi crucial na minha decisão de estudar para me tornar professor de línguas.

A minha divida de gratidão com o Canada e enorme, porque foi lá que eu conheci o Budismo. Muito jovem, eu decidi imigrar para o Canada, com o intuito de continuar meus estudos. A decisão de partir foi muito difícil porque minha mãe já estava muito doente, porém ela não queria que eu perdesse essa oportunidade de seguir adiante com meus planos.

Em 1991, a minha mãe veio a falecer; foi um momento muito difícil para meu pai, para mim e para todos meus irmãos, nos éramos muito jovens e muito dependentes do amor de nossa mãe. Meu pai, que era um homem totalmente devotado a sua família virou um dependente químico do álcool, acredito que ele não suportava a dor da partida de minha mãe.

Em 1998, meu pai morre em uma mesa de um bar depois de um fulminante ataque cardíaco, vindo a falecer no hospital. Em 2003, meu irmão morre tragicamente, o fato de não ter visto o funeral de meus pais e de meu irmão criaram uma depressão e angústia dentro do meu coração. Foi um momento muito difícil, eu não conseguia entender nada mais sobre a vida, me sentia totalmente perdido, o vazio tomou conta da incerteza sobre o futuro. Eu falava para mim mesmo, e agora, meus pais, minhas espinhas dorsais partiram, em quem vou me segurar, com quem vou conversar.

Uma dependência química foi minha válvula de escape, porém, eu não queria morrer como meu pai, eu sentia muita vontade de viver e poder ajudar o próximo, queria continuar lutando pelo meu sonho e minha missão nesta vida.

Durante o período de 2000 a 2008, eu trabalhava em um condomínio como síndico, neste local existia um terreno baldio muito grande, foi quando eu pedi ao meu patrão que me desse as condições de criar um jardim em volta desta área. Ele disse que sim, o jardim me fazia lembrar minha mãe, o amor que ela tinha pelas plantas.

Depois de três anos preparando a terra e do plantio das flores e árvore, o jardim se tornou realidade, as pessoas que lá passavam, admiravam e elogiavam a beleza desta área que por anos não existia nada. Eu me sentia muito grato por isso. Em 2007, um casal de Americanos (Bob e Lucile) que viviam em Toronto, sempre quando passavam pelo jardim paravam para admirar o jardim e conversar comigo, eles adoravam o tamanho dos girassóis.

Num Domingo eu estava regando as plantas, foi quando eles pararam para conversar comigo por um bom tempo. Lucile, muito gentilmente, virou para mim e disse: “Mario, você gostaria de vir conosco a uma reunião Budista hoje à noite”, por uns segundos, pensei comigo mesmo: “O não! mais uma dessas religiões fanáticas que não leva a lugar nenhum,… o que digo para eles”.

Rapidamente pensei comigo mesmo, eles estão sendo tão gentis, porque não dar uma chance, quem sabe pode ser uma coisa diferente¨. Dai perguntei! A que horas vocês vão passar para me pegar: “Eles disseram, 7:00 da noite, a reunião começa as 7:30”. Eu disse: “Tudo bem, estarei esperando por vocês”. Eu pensei comigo mesmo, tomara que eles não venham e desistam dessa ideia maluca de me levar a essa reunião. Enfim, não é que eles acabaram aparecendo, eu não tive outra saída, lá vou eu para essa reunião, seja lá o que for.

Quando chegamos, a reunião já havia começado, estávamos 10 minutos atrasados. Assim que entramos, aquele som, NAM MYOHO RENGE KYO…, parecia tão infinito, eu comecei a recitar imediatamente, parecia que eu já tinha escutado antes, naquele momento; eu não sabia que havia encontrado um tesouro perdido dentro de mim mesmo. Foram 2 horas de uma intensidade incrível, que som mais lindo! Depois desse encontro com Gohonzon Sama, eu não perdi mais nenhuma reunião.

Em novembro de 2007 eu me converti (Gojukai), em fevereiro de 2008 eu recebi O GOHONZON, o dia mais memorável de minha vida. Eu gostaria de dizer que, o sofrimento e a angustia do momento que eu vivia antes de conhecer o Budismo não estão mais presentes em minha vida. Existe uma grande diferença na pessoa que eu sou hoje do que a pessoa que eu era antes, eu passei a compreender a lei de causa e efeito, o porquê das tragédias que aconteceram em minha família. Passei a entender melhor o comportamento humano e também o meu próprio comportamento em relação ao próximo, a serenidade passou a ser minha companheira.

No Canada eu passei mais da metade de minha vida lá, onde trabalhei e estudei. Em Toronto eu participava intensamente das reuniões de núcleos e ajudava na preparação das Cerimônias quando o Reverendo Prior vinha a Toronto. Em 2009 eu participei do Tozan de Abril e também Outubro. É difícil descrever em palavras o que é o Tozan, o que eu posso dizer, parecia uma felicidade eterna. Conhecer o Templo Principal foi o momento mais grandioso de minha existência, o encontro com a verdade.

Meu maior beneficio nesta prática foi ter encontrado a fé. Outro fato marcante foi a rapidez em me tornar professor de línguas, antes de conhecer a prática eu engatinhava em tomar uma decisão, a solidão e o medo eram tão presentes em minha vida, eu me sentia amarrado sem poder fazer nada.

A prática me fortaleceu, me fez ver a vida sob um outro prisma. Era inacreditável como tudo avançava tão rápido. Ter ido ao TOZAN duas vezes em 2009 foram fatos imensuráveis. Por fim, ter conseguido este trabalho em São Paulo como professor de inglês, ministrando aulas para executivos foi muito bom, era o que eu queria.

Retornar ao país de origem é o sonho de muita gente. O TEMPLO SHOBOJI não saia da minha cabeça, eu pensava: Se eu conseguir este trabalho em São Paulo, vou poder me dedicar muito ao TEMPLO. Aqui estou, são tantas coisas que estou fazendo como, participar do grupo de Shakubuku, ajudar na Recepção, ajudar na venda de Shikimi, na preparação das varetas de Bambu para a Cerimônia de Oeshiki, enfim meu coração esta presente aqui no TEMPLO.

Eu gostaria de dizer que; o sofrimento e a angustia do momento no qual vivi, e que me fez conhecer o Budismo não estão mais presentes na minha vida. O Budismo (lei de Causa e Efeito) começou a me dar todas as respostas de sofrimento e angustia que estava presentes em minha vida, a verdadeira causa das tragédias que aconteceram em minha família.

“Tudo que eu faço pelo Templo Shoboji é meu amor e fé por essa prática, e também a minha divida de gratidão com o Budismo”, no qual eu me sinto eternamente feliz”.

Muito obrigado pela sua atenção.